Vinha Em Missão!

“Ide vós também para minha vinha” (Mt 20,4): seguindo essa máxima, a Comunidade Mariana Vinha do Senhor dá continuidade à sua missão, mesmo diante da pandemia da Covid-19.

A Comunidade Mariana Vinha do Senhor é uma Nova Comunidade da Igreja Católica Apostólica Romana que nasceu na Arquidiocese de Brasília – DF. Tem na sua identidade o carisma: “Ser presença da Igreja nas famílias”, considerando as palavras do Papa Francisco: “cuidar da família também é trabalhar na Vinha do Senhor, para que produza os frutos do Reino de Deus”.

O Senhor chama todas as pessoas a trabalharem na sua vinha, cada um segundo sua vocação. Por isso, o Papa Emérito Bento XVI, ao ser eleito, declarou: “depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar com instrumentos insuficientes”.

A parábola do bom samaritano nos propõe uma reflexão. Ao responder ao doutor da Lei: “Vai e faze tu o mesmo” (Lc 10, 37), Jesus nos manda ter a mesma atitude que o samaritano teve em relação ao homem ferido à beira do caminho. Nós, Vinha do Senhor, queremos obedecer a esta ordem de Jesus, de nos importarmos e nos movermos em direção a nosso próximo. E quem é o próximo? O próximo é aquele que usa de misericórdia para com o outro (Lc 10, 37), o próximo é também aquele que necessita de ajuda a ser prestada.

Traz comoção o cenário mundial, que, impactado vastamente pelo coronavírus, trouxe terror e vulnerabilidade a muitas pessoas. Enfrentamos, como comunidade, uma série de dificuldades, já que do dia para a noite várias de nossas atividades precisaram cessar, e tivemos que mudar nosso planejamento. Mas, diante de tal contexto, nos ardia o pensamento de que precisávamos ir ao encontro do nosso próximo. O momento exigia. A perda de um parente querido, de um emprego, de uma assistência anteriormente prestada, tornava-os necessitados de nossa presença mais do que em qualquer outra situação.

Não só o pensamento nos inquietava, mas também a insistência de Deus em nossos corações, colocando a certeza de que Ele tudo iria providenciar. Assim como quando na Itália, em 1854, São João Bosco se levantou para enfrentar a epidemia de cólera, também nós precisávamos nos levantar para ajudar os mais necessitados em tempos tão difíceis. Aos poucos, fomos nos adaptando e criando novas formas de evangelizar com nosso carisma, seja por meio dos nossos perfis em mídias sociais, na rádio ou na rua, atendendo nossos irmãos.

Sendo assim, era preciso “levantar as mangas” e colocar não só “a mão na massa”, mas também nossa coragem e o amor à missão. A nossa missão é também como um dever de justiça para com o outro. Como poderíamos ficar no conforto de nossas casas sabendo que tantas pessoas necessitavam de algo, e que poderíamos ajudá-las? Como poderíamos nos importar apenas com nossas preocupações e sofrimentos, desconsiderando as preocupações e os sofrimentos do próximo? Não, não é o que Cristo nos pede! Ele nos pede: “Coragem! Vai, e faze tu o mesmo”.

Um de nossos serviços apostólicos que mais foi comprometido durante a pandemia foi a assistência aos irmãos no cárcere. Devido ao fato de fazerem parte do grupo de risco de infecção pelo coronavírus, a Pastoral Carcerária foi interrompida durante vários meses. O retorno aconteceu em dezembro, com diversas adaptações no formato e na atuação dos voluntários. É bom ressaltar a importância desse apostolado, já que os encarcerados recebem, de maneira geral, poucas visitas, e nesse período eles também foram privados de manifestações simples de afeto, como um abraço ou aperto de mão. Nesse serviço também aceitamos o convite de Cristo e nos propomos a ver Seu rosto em cada irmão que sofre (Mt 25, 36). Esperamos adaptar melhor essa missão, da mesma maneira que fizemos em relação ao serviço evangelizador nas mídias sociais e junto aos irmãos em situação de rua.

Contudo, neste ano de 2021, teremos outras realidades que exigirão nossa ação. Uma delas é o convívio com a pandemia e a extrema pobreza que se difundiu em todo o mundo, bem como a adaptação neste período em que ainda se enfrentam consequências difíceis, em decorrência do vírus. A nossa expectativa nesta nova fase envolve a análise de nossa ação e o aprimoramento de nossos meios de ação e evangelização nessa nova “normalidade” que nos foi imposta. A pandemia, muito embora tenha interferido de maneira direta em nossas atividades, não fez com que parássemos nosso apostolado; neste novo ano, não esperamos que o mundo volte a ser como era antes da pandemia, mas sim que saibamos responder da melhor forma possível ao convite de Deus e servir com amor o nosso próximo.

Laisy Ferreira Fontenele
Consagrada da Comunidade Mariana Vinha do Senhor

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